Charles do Bronx dá a volta por cima e conquista os fãs brasileiros de MMA

Lutador da Baixada Santista muda de categoria após duas derrotas e agora tem pela frente mais um adversário para provar a que veio.

 

Único representante da Baixada Santista no UFC, Charles do Bronx é um exemplo para garotos da região que querem se transformar em grandes lutadores. De origem humilde, o guarujaense segue para a sétima luta no UFC, no próximo dia 1 de junho, no evento final do The Ultimate Fighter: Live, o TUF 15 Finale, em Las Vegas. O adversário será o americano Jonathan Brookins. No histórico no UFC, são três vitórias, duas derrotas e um no contest (luta sem resultado).

Aos 22 anos, Charles Oliveira é faixa preta em jiu-jítsu, esporte que pratica há dez anos. Antes, o lutador já tinha praticado caratê. Ainda menino, o atleta foi convidado por um rapaz, que o via brincando enquanto a mãe vendia lanches de um carrinho, para fazer aulas com o atual treinador, Ericson Cardozo. Ele não tinha condições de pagar pelo treinamento, mas ganhou uma bolsa.

- Comecei a fazer o jiu-jítsu, gostei e falei: "É isso que eu quero pra minha vida".

Depois de seis anos lutando somente jiu-jítsu, em 2008, "do Bronx" começou a praticar MMA. Ele destaca que mudar de uma só luta para a mistura delas exige muito esforço do atleta.

- Você tem que treinar jiu-jítsu, karatê, boxe, muay thai, tem que treinar tudo. O MMA é um esporte mais completo, você tem que dedicar mais tempo para aquilo que você está fazendo.

Charles do Bronx tinha 12 vitórias no MMA quando fez sua estreia no UFC na categoria peso-leve, em agosto de 2010. Na luta, ele derrotou o norte-americano Darren Elkins. Em setembro do mesmo ano, venceu o mexicano Efrain Escudero. A primeira derrota na carreira foi para Jim Miller, dos Estados Unidos. Na luta seguinte, ele venceu o também americano Nik Lentz, mas teve a vitória revogada por causa de um golpe ilegal realizado no segundo round. A segunda derrota aconteceu em agosto de 2011, para Donald Cerrone, e fez o lutador repensar se estava na categoria certa. Ele, então, resolveu começar a lutar com entre os penas.



- A decisão foi porque eu estava lutando na categoria até 70 quilos e eu não perdia quase peso nenhum. Chegava ao dia da luta, eu subia na balança, batia o peso normal e via os adversários se matando. No dia da luta, eu batia e reparava que o meu oponente não sentia o golpe.
Na estreia na nova categoria, Charles venceu o americano Eric Wisely, em janeiro deste ano, no UFC on Fox: Evans vs. Davis. Além disso, ganhou o prêmio de melhor finalização com a inédita chave de panturrilha. O lutador destaca que esse é o momento mais importante de sua carreira até agora.

- Quando fui derrotado, um monte de gente deixou de me apoiar. Acho que foi a hora que a minha família e os meus amigos mais me apoiaram. Foi quando dei a volta por cima nessa minha última luta.

Charles viaja para Las Vegas na segunda quinzena de maio, mas, por enquanto, está na Baixada Santista treinando boxe, jiu-jítsu, MMA e muay thai para o próximo embate.

- Estou treinando praticamente de oito a nove horas por dia para essa luta chegar e eu estar bem.

A expectativa do lutador para o combate é a melhor possível. Alguns obstáculos no meio do caminho atrapalharam a preparação, mas ele acredita numa luta equilibrada.

- O que ele faz de melhor eu também faço, então acho que vai ser uma luta boa pra mim.

Nos Estados Unidos, a intensidade do treinamento vai aumentar até poucos dias antes da luta. "Do Bronx" está focado no confronto, mas admite que cada passo que dá na sua carreira é pensando na conquista do cinturão.

- Eu subo um degrau de cada vez. Essa luta agora é um primeiro passo. Depois, se eu conseguir sair com a vitória, e quem sabe vencer o meu próximo oponente, eu possa disputar o título.

Se essa luta fosse agora, o duelo seria com o brasileiro José Aldo, que era campeão da categoria no extinto WEC, e levou o seu cinturão para o UFC quando este, após comprar o torneio, incorporou as categorias peso-galo e peso-pena ao seu cartel de lutadores. A primeira defesa de cinturão de Aldo ocorreu em abril de 2011 contra o canadense Mark Hominick e, desde então, manteve o feito derrotando os americanos Kenny Florian e Chad Mendes. Colega de Aldo também fora do octógono, Charles acredita em uma disputa dinâmica.

- O melhor do Aldo acho que é o muay thai e o meu melhor é o jiu-jítsu. Eu não vou querer ficar em cima, ele também não vai querer ficar embaixo, então acho que vai ser uma luta boa, mas estou sentindo que vai ser a mais difícil da minha vida.

Agora eles são adversários na mesma categoria, mas antes, Aldo era ídolo do rapaz que estava apenas começando no UFC.

- Antigamente ele não era da mesma categoria, mas eu o via dar show. Quando eu o vi pela primeira vez, tirei um monte de foto. E hoje, quando eu ligo, ele me atende, quando ele me liga, eu atendo. É um cara que é humilde, diferente de alguns atletas.

Fora do octógono

Charles do Bronx conseguiu realizar parte dos seus sonhos, mas não esqueceu de onde veio. Por isso, sempre que pode, está ajudando meninos carentes, não só do Guarujá, mas de todo o Brasil. Além de apoiar os projetos Guerreiros da Paz e Atitude, no Guarujá, o lutador também visitou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro e o projeto Lutador do Futuro, em Ubatuba, dando palestras sobre a sua carreira.

- Eu vim de um projeto. Então, quando eu entrei no UFC, eu fiz uma promessa pra mim mesmo, que eu ia ajudar o máximo que eu pudesse. E eu aprendo muito com a molecada, que está lá no fundo do poço, se levantando, querendo ser um lutador, querendo ser um guerreiro. Eu gosto de fazer isso.

Representando a Baixada Santista no UFC, o guarujaense espera ser um exemplo para os meninos não só da região, mas de todo o Brasil, que desejam se tornar lutadores profissionais.

- Eu tento passar o máximo daquilo que eu aprendi com a minha família, com a minha equipe, que é ter humildade e respeitar o próximo. É um pouco difícil porque você vai ter que medir o que faz, porque tudo que você está fazendo, a molecada quer fazer também.

Fora do octógono e dos tatames, Charles Oliveira tem uma vida normal. Família, amigos, noiva e muita brincadeira.

- Gosto de bagunçar, quando eu não estou treinando ou namorando, estou andando a cavalo no sítio, ou com a molecada empinando pipa. Sou um molecão ainda, sou bagunceiro.




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