'Estava tão confiante que queria lutar com uma mão só', afirma Vitor Belfort

Após deslocar ossos da mão esquerda, lutador se diz frustrado, mas vê lado positivo: 'Vai me dar força para fazer mais quatro, cinco, seis lutas'.

 

O público ligado ao MMA levou um baque e tanto na madrugada deste domingo, quando o presidente do UFC, Dana White, anunciou que Vitor Belfort havia lesionado a mão e estava fora do UFC 147, no dia 23 de junho, onde faria um esperado duelo contra Wanderlei Silva. O lutador conversou em primeira mão com o SPORTV.COM e contou que sofreu a lesão, um deslocamento dos ossos da mão esquerda, durante o treino da tarde de sábado, em seu CT no Rio. Segundo Vitor, que é canhoto e estava utilizando luvas e ataduras, ele aplicou um golpe de encontro tão poderoso que abriu até um corte na testa do sparring, que estava com protetor facial. O peso-médio foi submetido a uma cirurgia pouco depois, por volta das 18h (de Brasília).
- Eu estava fazendo sparring, fui muito bem no primeiro round e, quando comecei a encaixar golpes duros no segundo, me empolguei. Foi a hora em que soltei meu golpe mais poderoso e deu um tremendo choque na minha mão. Quando tirei a atadura e a luva, o osso do punho já estava deslocado, doendo muito. Liguei desesperadamente para o meu amigo Michael Simoni. Achei que ia dar, tentei não me desesperar na hora. Mas tive que fazer o processo cirúrgico. Perguntei para ele se tinha como fazer alguma coisa, mas ele disse que não. Eu queria lutar. Estava tão confiante que queria lutar com uma mão só, mas não dá nem para tocar que dói. Infelizmente faz parte do meu trabalho de atleta. É difícil aceitar, mas acontece. Eu estava fazendo tudo perfeito. Foi uma coisa em que a gente ainda não acredita - disse Belfort.


  Michael Simoni, ex-médico do Fluminense e que cuida de Vitor já há alguns anos, explicou que o paciente ficará um mês com o braço imobilizado e, depois disso, poderá começar o trabalho de
fisioterapia para voltar a treinar normalmente. Simoni acredita que Vitor estará apto a lutar novamente no UFC em setembro:
- Ele foi para o hospital, realizou um exame clínico e radiológico, que mostrou que houve um deslocamento na mão. Foi entre o que chamamos de quarto metacarpo e o carpo, aqueles ossinhos pequenininhos que formam o "quebra-cabeça" no punho. É uma lesão incomum que deve ser adequadamente tratada. A gente o levou ao centro cirúrgico e o anestesiou para colocar os ossos de volta no lugar. Depois fizemos uma fixação percutânea, que passa um fio metálico para que essa articulação possa ficar no mesmo lugar, estável.
O lutador manifestou seu desejo de que a luta contra Wanderlei Silva fosse adiada, por conta do grande apelo devido ao The Ultimate Fighter Brasil - Em busca de campeões, onde eles são treinadores de times rivais. Dana White, no entanto, já afirmou que vai manter o "Cachorro Louco" no combate principal do evento que será realizado em Belo Horizonte. Se for assim, Vitor já declarou que vai torcer pelo desafeto, para que eles possam se enfrentar em breve:
- Minha vontade era de que o evento continuasse, mas que pudessem passar a minha luta contra o Wanderlei para mais tarde, mas isso não cabe a mim, né? O UFC poderia poupá-lo dessa luta e esperar mais alguns meses. Nós iríamos lutar no passado, eu aceitei a luta, mas ele preferiu enfrentar o Chris Leben. Infelizmente nesta agora eu me contundi. Espero que ele ganhe para a gente poder lutar novamente. Mas é isso, o show tem que continuar. Não vai faltar alguém para me substituir, já que o UFC tem os melhores do mundo. É triste para o Dana White, imagina a frustração dele... Mas o maior frustrado sou eu, que era o protagonista disso tudo. O importante é saber que são ossos do ofício, literalmente (risos). Não sou jogador de gamão. Estou pronto para superar mais essa dificuldade - afirmou Belfort, que apostou no americano Alan Belcher para substituí-lo no card.





A decepção é inevitável. Mas, na cabeça de Vitor Belfort, a lesão pode ter trazido pelo menos um bem para si próprio e para os amantes do esporte. Depois de revelar ao SPORTV.COM que pretendia fazer mais duas ou três lutas antes de parar, ele parece já estar mudando de ideia:
- É difícil de se mensurar o tamanho da decepção. Pode virar um quadro depressivo se ficar pensando nisso. Aconteceu... Já passei por tantas coisas na minha vida, tanto sofrimento, que não fico buscando o porquê das coisas, e sim o para quê. Tenho certeza de que, como eu estava pensando em me aposentar daqui a duas ou três lutas, isso vai me dar uma força maior para poder fazer mais quatro, cinco, seis lutas. Agora é focar na recuperação.
Jovita, mãe de Belfort, presenciou o ocorrido e não conteve as lágrimas ao comentar a lesão do filho:

- Até então estava sendo um prazer vir para cá assistir, ver que ele está voando, tudo que ele construiu aqui. Ele fez um primeiro treino maravilhoso. Aí quando entrou o segundo foi questão de eu abaixar a cabeça e ouvir o barulho. Foi um estrondo, o Vitor gritando, a cabeça do cara arrebentada. Quando o Vitor tirou a atadura, aí nem sei te dizer mais. Aquele ovo na mão dele... Sou a mãe, nove meses na minha barriga, e ali eu já sabia pelo olho dele. Foi horrível. Sei que ele vai superar, mas eu sofro dobrado. Imagino a dor por dentro que está sentindo.
Ainda durante a entrevista, Vitor revelou que já lutou mesmo estando lesionado mais de uma vez na carreira. Antes de enfrentar o americano Anthony Johnson no UFC 142, no Rio de Janeiro,  fez cinco infiltrações no cotovelo e no ombro para poder lutar. Já contra o japonês Yoshihiro Akiyama, ele lutou com a mão fissurada. Desta vez, no entanto, não houve jeito. Pior para o Brasil.

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