Após varrer rivais, 'Gigante' de 1,87m do jiu-jítsu pensa em estreia no MMA

Gabrielle Garcia, gaúcha de 26 anos, está há três anos invicta e tornou-se a primeira faixa preta a conquistar o tricampeonato mundial no absoluto.

 

 

Ela possui 1,87 metro de altura, 105 quilos e o inédito título de tricampeã mundial faixa preta na categoria absoluto. Aos 26 anos, a gaúcha Gabrielle Garcia se tornou imbatível no jiu-jítsu feminino a ponto de estar invicta há três anos. Com tamanha superioridade e tantas medalhas no peito, tornou-se comum para ela enfrentar adversárias que são suas próprias fãs no tatame e encaram o desafio como um aprendizado. A lutadora que superá-la, contudo, sabe que rapidamente será alçada ao topo do esporte.
As candidatas ao feito, porém, devem ficar atentas para a possibilidade de ver a rival deixar o jiu-jítsu com o status inabalado. Seguindo uma rota comum de muitos praticantes da arte suave, a atleta já se imagina entrando em um óctogono de MMA para provar sua habilidade no chão, e, certamente, em outras modalidades a serem desenvolvidas.
- Todo mundo está me perguntando e cobrando isso. Acho que é o meu próximo passo. Depois disso vou voltar a treinar boxe, muay thay. Quem sabe ano que vem eu estreio no MMA.
No início de junho, Gabi conquistou seu terceiro título absoluto na faixa preta no Mundial de Jiu-Jítsu disputado na Califórnia, nos Estados Unidos. Derrotou a compatriota peso-pena bicampeã brasileira Luiza Monteiro (1,66m e 62kg) na final com uma kimura e encerrou a luta em menos de um minuto. Além do feito inédito no feminino, a gaúcha igualou a marca de Roger Gracie, único tricampeão no masculino (na categoria absoluto, atletas de diferentes pesos se enfrentam).
- Se manter no topo e ficar alguns anos em ascensão é difícil. Vencer uma ou duas vezes é uma coisa que as pessoas conseguem até, mas se manter durante alguns anos é fruto de muito treinamento, muito foco - afirmou a peso-pesado, que coleciona títulos também do Pan-Americano, Copa do Mundo e ADCC.
A conquista também honrou a perda recente do irmão mais novo, Renan, de 22 anos. Ele morreu vítima de enfarto durante um treinamento de jiu-jítsu.
Toda vez que eu entro no tatame para lutar eu peço para ele estar comigo. Esse tricampeonato é muito importante na minha vida, é sentimental também por tudo o que eu passei nos últimos meses. Por ter desacreditado em mim mesmo, porque na vida a gente te muitas derrotas. Eu passei por uma derrota grande que foi a perda de uma pessoa muito querida por mim. Desacreditei que eu podia chegar de novo, voltar a minha melhor forma acabei me entregando um pouco e dei a volta por cima consegui esse tri que vem com um sabor todo especial - desabafou a gaúcha.
Gabi costuma dizer que "cresce frente às dificuldades" na luta. Na vida, porém, foi preciso perder 30 quilos e refinar sua técnica para vencer o preconceito da torcida. Antes de chegar ao topo do esporte, a gaúcha era mais pesada e ouvia vaias do público, que acreditava serem suas vitórias fruto apenas de seu tamanho.
Com dieta e aprimoramento da técnica sob os ensinamentos do mestre Fábio Gurgel, Gabi emagreceu e retomou a autoestima. Hoje, ela já coleciona sete títulos mundiais na faixa-preta.
- Aquilo só me ajudou a crescer, como atleta e ser-humano. As pessoas não gostavam de mim porque eu não era tecnicamente do mesmo nível das meninas. Fui buscar na Alliance (academia) e no meu mestre Fábio a técnica e esse refino que eu não tinha - relembrou.
Cris Cyborg, Ronda Rousey e Gina Carano, estrelas do MMA feminino, podem abrir o olho para o surgimento de uma possível rival no crescente mundo das artes marciais mistas.



 

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