Policial Russow pode virar lutador 'full time' com vitória sobre Werdum

Atleta nas horas vagas, americano vê luta de sábado no UFC 147 como chance de largar emprego para se dedicar a sonho de título mundial.

 

 

O brasileiro Fabrício Werdum é um profissional do MMA há anos e teve a oportunidade de treinar na Espanha, Croácia, Brasil e Estados Unidos, entre outros países. Seu oponente no UFC 147 neste sábado, por sua vez, é atleta apenas nas horas vagas. Mike Russow é policial em Chicago, trabalhando turnos noturnos diariamente, e raramente consegue se dedicar aos treinos. Por conta de suas responsabilidades com sua família, o americano não pode abandonar o emprego, mas com 11 vitórias consecutivas, quatro delas no Ultimate, o peso-pesado vislumbra a luta de sábado como um momento-chave para deixar a polícia de lado temporariamente e perseguir o sonho de ser campeão mundial.
Werdum é considerado um dos 10 melhores lutadores da divisão - o ranking Combate o coloca em terceiro lugar, atrás de Junior Cigano e Cain Velásquez e colado em Frank Mir e no suspenso Alistair Overeem - e um triunfo sobre o gaúcho certamente deixaria Russow bem cotado para disputar o título em breve. Caso saia vitorioso, Russow visualiza tirar um ano inteiro de licença do serviço policial para aproveitar melhor essa oportunidade.
- Conseguir esta vitória vai me deixar um passo mais próximo. Eu tenho uma esposa, uma filha e tenho 35 anos. Elas precisam de seguro de saúde, tenho que pagar a hipoteca, seguro de carro, e o que estou recebendo agora no UFC não cobre isso. Não vou me arriscar a treinar "full time", lutar e, se algo acontecer, como vou me virar? Talvez, se eu estivesse solteiro, mais jovem e na mesma posição no UFC, pensaria nisso, pois do jeito que estou, estou me prejudicando. Mas não posso fazer isso com elas. Se eu vencer no sábado, posso talvez tomar um ano de licença do departamento de polícia e treinar "full time". É algo realista que eu talvez possa fazer - afirmou ao sportv.com.
Geralmente, Russow tira 21 dias de férias remuneradas antes de cada luta, mas ele já havia esgotado essa possibilidade em janeiro, quando enfrentou Jon Olav Einemo em sua cidade, Chicago, e venceu por decisão unânime. Ciente da importância da luta de sábado, o atleta pediu um mês de licença do trabalho, sem remuneração. Além disso, por sugestão de seu técnico de jiu-jítsu, o brasileiro Rodrigo "Comprido" Medeiros, veio mais cedo para o país; o Ultimate costuma levar seus lutadores para o local de seus eventos na terça-feira, mas Russow chegou no sábado e se hospedou na casa da sogra do treinador, a cerca de 30 minutos de Belo Horizonte.




Primeiro, foi para ficar próximo da minha família e ter uma estrutura melhor. Os caras se divertiram e tiveram bons momentos. E segundo, eu vinha muito a Belo Horizonte por causa da minha esposa, então sei que tem o tempo muito seco, e que nos primeiros dias, quando você treina, você puxa o ar, ele não vem e dá aquele desespero... Achei que valia a pena chegar mais cedo e ter uma adaptação mais tranquila. Foi bom, porque o voo deles atrasou e, se eles tivessem vindo na terça, iam ter perdido um dia inteiro aqui. Tiveram tempo de descansar, puderam fazer muitos treinos fora de casa, no jardim, e isso vai dar uma confiança maior a ele - contou Comprido, referindo-se também ao técnico de wrestling de Russow, Wladimir.
Comprido conheceu Russow há cinco anos, quando o americano treinava para lutar no Pride, onde sofreu sua única derrota na carreira, e desde então se tornou seu técnico. O brasileiro admira muito a vontade e disciplina de seu pupilo, que praticamente ignora o lazer para não deixar nada devendo para os "profissionais" do MMA.
- Eu não tenho tempo livre, mas treino tão duro quanto qualquer outro. É minha vida toda: treino, trabalho, família. Não faço mais nada. Às vezes, não tenho as folgas no meio para descansar, mas sempre vou treinar, fazer musculação, dois treinos seguidos, então ainda faço de tudo. Numa semana, faço cerca de 12 a 13 treinos - detalhou.

Tática para Werdum: evitar posições perigosas no chão
Tanto quanto conhece Russow, Comprido conhece Werdum. Ambos são campeões mundiais de jiu-jítsu e viram um ao outro competir em inúmeras ocasiões, apesar de jamais lutarem entre si. O treinador carioca admitiu que essa familiaridade o facilitou a traçar seu plano de jogo para sábado, mas considera o desafio duríssimo. Enquanto a maioria dos wrestlers gosta de levar os combates para o chão para controlar seus adversários, Russow terá de tomar cuidado extra na luta agarrada e fará uma estratégia diferente.





É a luta mais dura que já tive. Ele (Fabrício) é muito ativo quando está de costas no chão, tenta triângulos e chaves de braço. Tenho que manter a postura e ficar de pé. Não quero jogar esse jogo com ele. Não tenho medo de tentar quedas, mas quero levantar logo depois e me colocar numa boa posição, sem entrar em perigo - explicou o americano.

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