Marco Ruas, do vale-tudo ao MMA moderno





Marco Ruas começou nas artes marciais pelo Judô, aos doze anos. Mais tarde foi para o Boxe, com o professor Santa Rosa, depois para a luta de chão com Oswaldo Alves.
Marco Ruas especializou-se em diversas modalidades, como Muay Thai, Boxe, Luta Livre, Jiu-Jitsu. Mas era no Muay Thai que Ruas mais se identificava e usava. Mas era com o pessoal da Luta Livre, como Eugênio Tadeu, Hugo Duarte, Beto Leitão, entre outros que Ruas treinava e se enturmava.
Em seu tempo, as rixas entre lutas no Rio de Janeiro eram muito grandes, os primórdios do Vale Tudo.  Havia muita disputa entre Jiu-Jitsu e outras modalidades, e foi marcado um tira-teima de Jiu-Jitsu contra outras lutas no dia 30 de novembro de 1984. Marco Ruas que já possuía notoriedade lutou contra Fernando Pinduka, este o agarrou no chão e não deixou Ruas lutar, o juiz Hélio Vigio descaradamente ajudava Pinduka, mas mesmo assim Pinduka fugiu do combate e a luta foi dada como empatada.
Naquela época as competições de lutas eram irregulares, poucos eventos aconteciam.
Posteriormente o campeão de Jiu-Jitsu Fábio Gurgel lançou um desafio aberto a qualquer um para uma luta, Marco Ruas topou, mas o combate não aconteceu.
Com o advento do UFC, Marco Ruas logo foi sondado para participar do evento pelo empresário Frederico La Penda.

                                                MARCO RUAS X MAURICE SMITH



Marco Ruas estreou no UFC 7 no dia 08 de setembro de 1995. Na época o UFC era disputado no formato de torneio, sendo quartas de final, semifinal e final.  Nas primeiras edições do UFC, os lutadores tentavam demonstrar que a sua arte era mais eficiente do que a de seus oponentes, mas Marco Ruas já apresentava seu estilo, ele participou sendo o primeiro lutador a não defender uma luta em si.
Foram três combates no mesmo dia, sendo que naquela época as lutas não tinham tempo definido, tampouco categoria de peso. A primeira luta foi contra Lary Cureton, a quem Marco Ruas finalizou com uma chave de calcanhar. Em seguida enfrentou o campeão mundial de Judô Renco Pardel, a quem finalizou novamente. Veio a final contra o gigante Paul Varelans e os momentos históricos. Todos se lembram dos pizões que Ruas aplicava em Varelans quando este o agarrava, e Ruas o chutava e socava, principalmente com low kicks, minando o grandalhão e sendo campeão.
Posteriormente Ruas diria sua celebre frase de como lutava: “Se você soca e chuta, eu agarro. Se você agarra, eu soco e chuto”. O mundo via pela primeira vez um lutador completo, que sabia lutar em todas as áreas. Marco Ruas iria modificar o mundo das lutas e o MMA ao introduzir o “cross training”, treino total de tudo um pouco de cada luta para o MMA, oque todo lutador faz atualmente.
Em 16 de dezembro de 1995 Marco Ruas foi escalado para o evento Ultimate Ultimate. Em sua primeira luta venceu por finalização a Keith Hackney. Em seguida pegou o Russo Oleg Taktarov, um especialista em Sambô. A luta foi para o chão, Taktarov tentou um estrangulamento de pescoço, mas Ruas conseguiu tirar a garganta, mas ficou com a cabeça imobilizada na chave. Após dezoito minutos foi dado a vitória para Taktarov oque irritou muito a Ruas. Naquele tempo o combate não voltava em pé quando ficava travado.

Ruas se desligou do UFC por influência de seu empresário, Frederico La Penda. La Penda realizou um evento no Japão, no dia 14 de agosto de 1996, chamado WVC, World Vale Tudo Championship, em parceria com Sergio Batarelli. Ruas lutou e venceu por finalização a Steve Jennun.
Conforme foi prometido a Ruas, foi marcado para o dia 10 de novembro de 1996, em São Paulo, sua revanche contra Oleg Taktarov. Essa edição do WVC no Brasil foi um marco, trazendo pela primeira vez grande lutadores de renome para o país. Na coletiva de imprensa, Fabio Gurgel estava sentado à mesa, iria participar da próxima edição do evento, perguntei a Ruas e Gurgel sobre aquele desafio do passado, a palavra foi dada aos lutadores, Ruas respondeu: “isso não me interessa mais, eu só quero lutar com os tops, os maiores nomes do mundo”! Irritado Gurgel respondeu humildemente: “espero dar o meu melhor quando tiver minha chance para também me tornar um dos melhores do mundo”.
No dia seguinte, na luta, determinada para trinta minutos, sendo essa a única regra, Marco Ruas castigou e muito Oleg Taktarov. Num espaço completamente lotado, Ruas não deixou a luta ir para o chão e desfigurou o rosto de Taktarov, que após o combate precisou levar dezoito pontos na face. Nessa edição do WVC, também foi feito um torneio de Vale Tudo, aonde o promissor e desconhecido aluno de Marco Ruas, o jovem Pedro Rizzo foi campeão.





Quinze dias depois viajo para os Estados Unidos para uma série de reportagens, entre elas uma entrevista exclusiva com Marco Ruas para a revista Combat Sport. Ruas me recebe em sua casa com a mão direita engessada, diz que quebrou de tanto bater em Taktarov. A integra da entrevista pode ser conferida abaixo, mas o momento mais forte foi quando perguntei a Marco ruas sobre Rickson Gracie, reproduzo agora o momento: “Marcelo Estrella: Agora permita que eu devolva uma pergunta a você… Eu perguntei ao Rickson Gracie o que ele achava de você… Qual a sua opinião sobre Rickson Gracie? Marco Ruas: É só assistir as lutas, botar o público pra ver. Acho que não tem o que se falar. Ele se diz completo. O que ele fez? Como ele é chutando, socando? Chão? Pô, eu nem posso avaliar a luta dele no chão porque o lutador que fez chão com ele não era qualificado! Ele lutou no Japão, contra um lutador japonês, durante 3 rounds. Depois o Ricardão, faixa azul, pegou aquele mesmo lutador e o venceu em 45 segundos! Os adversários do Rickson não são qualificados, entende? Então nem posso comentar a luta dele no chão… Ele não sobe num ringue há 2 anos! E ainda vem falar que eu sou “fraco”, pô! Eu acho até feio essa atitude da parte dele. Vamos acertar! Tem um monte de gente querendo ver esta luta entre nós”.
Em seguida Frederico La Penda me entrega um exemplar da revista Americana Black Belt, que Ruas seria capa no próximo número. Com o titulo de ‘King off Streets”, “O Rei das Ruas”. Ruas fotografado em bairros de gangs de Los Angeles, e explicava que seu estilo de luta que desenvolveu, o Ruas Vale Tudo, englobava tudo, inclusive para estar apto a um confronto urbano caso necessário. Esse apelido é usado até hoje internacionalmente quando se referem a Marco Ruas.
No dia 16 março de 1997 Marco Ruas enfrentaria, na terceira edição do WVC, o Americano Patrick Smith. Ruas já estava muito modificado para aquele que começou no UFC 7. Seus treinadores acreditavam que Ruas precisava ganhar grande massa muscular para ficar mais adequado aos lutadores mais fortes, e lhe foi desenvolvido um trabalho de hipertrofia muscular muito denso, que aumentou e muito a musculatura de Ruas, e mais tarde o comprometeria irremediavelmente…
Contra Smith, foi uma luta breve, Ruas logo o mandou ao chão e aplicou uma chave de calcanhar, finalizando-o. Esse evento marcaria ruptura de Marco Ruas com Frederico La Penda. Além de La Penda não pagar o combinado com Ruas, ele abriu uma franquia de produtos com o nome de Marco Ruas, como camisetas, bonés, vídeos e todo o tipo de sortimentos, registrou em seu nome, e Ruas só ficou sabendo quando viu nas revistas.
Vendo o sucesso que Marco Ruas fazia por suas técnicas, resolvi fazer um seminário promovido por ele. Foi enorme sucesso! E ele veio, sem estar acordado, para ajudar no seminário, com Pedro Rizzo e Beto Leitão! Tiveram sessenta e um inscritos no seminário, cinquenta e nove praticantes de Jiu-Jitsu, um de Hapki-do e outro de Kickboxing. A galera ficou em transe com as técnicas que aprendeu de chão com Ruas! Pediram mais seminários!
O nome de Ruas crescia cada vez mais, foi fundada em Bervelly Hills uma academia de lutas, aonde Ruas dava aulas ao lado de seu amigo Bas Rutten e de Mark Kerr. Frequentemente outro amigo de Ruas, o campeão do K-1, o Holandês Peter Aerts aparecia para treinar e dar seminários conjuntamente com Ruas. Marco Ruas era frequentemente convidado para ir ao Japão entregar prêmios aos vencedores do K-1. E o K-1 quis contrata-lo a peso de ouro, sabendo que a origem de Ruas estava no Muay Thai. Mas Ruas me confidenciou: “não dá, meu joelho não aguenta mais… Se entrar vou fazer feio”.
Tinha botado na minha cabeça que ia porque ia cobrir o K-1 no Japão, fui a primeira vez em 97. Liguei para Ruas do Japão, sabia que ele era muito amigo de Peter Aerts, comentei com Ruas: “meu o Peter Aerts tá aqui, mas rodeado de gente, sou tímido… Estou com vergonha de falar com ele…”.
Marco Ruas disse: “Mermão fala que você é meu amigo pô! E diz a ele que EU O MANDEI ASSASSINAR OS OUTROS LUTADORES”! Cheguei em Peter e disse que tinha uma mensagem importante para ele do Brasil, ele tranquilamente disse para contar. A hora que falei que era do Marco Ruas ele pulou de alegria! E me falou e me deixou em choque: “se você é amigo do Marco Ruas é meu amigo também! A partir de agora você faz parte da minha equipe”! Não acreditei! Apresentou-me a todos, e a noite, sem Peter é claro, fomos beber. E como Holandês bebe! Misturamos saque e cerveja até quase o ponto de entrar em com alcoólico! No ano seguinte no K-1 novamente, Peter Aerts foi campeão. Não aguentei a emoção e invadi o ringue com tevês e ele dando declaração ao mundo! Pedi para deixar uma mensagem para seus amigos do Brasil, Peter Aerts disse que dedicava esse titulo a Marco Ruas!

Em 15 de março de 1998, no Pride, Marco Ruas venceu a Gary Goodridge com uma chave de calcanhar. Mas sua saúde não estava nada bem, seus joelhos, que já eram sensíveis, não suportavam o aumento de peso, causando dores intensas e deslocamentos constantes.
Em 11 de outubro de 98, novamente no Pride 4, Marco Ruas enfrentou o Japonês desconhecido Alexander Otsuka. Foi razoavelmente bem no primeiro round, mas não aguentava de dores nos joelhos. E quando deu o intervalo Ruas disse ao seu corner que não tinha condições de voltar e abandonou o combate.
Em 16 de julho de 1999 Marco Ruas enfrentou o veterano lutador de Muay Thai, Maurice Smith no seu retorno ao UFC 21.  E foi o mesmo drama, no intervalo de rounds Ruas abandonou a luta por não suportar as crônicas dores nos joelhos.
Marco Ruas começou um intenso tratamento fisioterápico para tentar recuperar a firmeza nos joelhos e um trabalho de fortificação na região, para tentar dissipar as pavorosas dores.
No dia 11 de novembro de 2001, Marco Ruas enfrentou pelo Pankration a Jason Lambert, e encaixou uma chave de calcanhar aos 56 seg.
O duelo entre Marco Ruas e Rickson Gracie não saia das matérias, e da boca dos fãs e lutadores. Diversos empresários tentaram marcar um confronto entre os dois, cogitava-se que se esta luta acontecesse deveria ser no estádio do Maracanã! Mas ambas as partes nunca chegaram a um acordo.


                                                 MARCO RUAS COM PEDRO RIZZO


Enquanto isso seus alunos Pedro Rizzo e Renato Babalú conquistavam o mundo. Babalú se desligou de Marco Ruas depois, mas reconhece que foi com Ruas que aprendeu o que sabe.
Ruas realizava seminários pelo mundo. Cada vez mais os lutadores seguiam o seu caminho e eram mais completos e versáteis. Não existia mais confronto entre artes marciais, o MMA evoluiu e muito! Quem não fosse polivalente e não soubesse lutar em todo tipo, estava ultrapassado. Marco Ruas tinha deixado seu legado, o cross training é utilizado por todos os lutadores atualmente.
Ruas ainda tentou uma revanche com Maurice Smith em 19 de maio de 2007, no IFL, mas foi um fim de carreira dolorido e triste. Ruas novamente não suportou os joelhos e abandonou novamente o combate num intervalo.
O brasileiro encerrou sua carreira com um cartel com 9 vitórias, 4 derrotas e 2 empates.

Atualmente Marco Ruas dá treinos especiais para altos executivos e pessoas Vips. Foi bonito vê-lo no corner de Glover Teixeira no último UFC ao lado do seu eterno pupilo e braço direito Pedro Rizzo. Sempre que entrevistado o assunto Rickson Gracie vem a tona. Mas Marco Ruas está tranquilo e sabe que cumpriu com seu dever no MMA. Mudou tudo!
Existiu uma época e depois surgiu outra no MMA, pré e pós Marco Ruas!
Entrevista realizada com Marco Ruas em Dezembro de 1996 par a revista Combat Sport.
Marcelo Estrella: Ruas, neste último ano e meio você venceu o Ultimate Fighting Championship VII, lutou e venceu no Japão… venceu Oleg Taktarov no WVC 2 em São Paulo… Seu nome explodiu! O que muda para esse carioca do bairro do Flamengo que é você?
Marco Ruas: Muitas coisas mudaram. Minha vida melhorou muito. De dois anos pra cá recebi mais reconhecimento como atleta e como lutador. Tudo isso foi muito bom, pude trazer para os Estados Unidos minha mulher e minhas filhas, que estudarão aqui e poderão contar com uma qualidade melhor de vida. Ser reconhecido nos Estados Unidos e, por isso, ainda mais, no Brasil, é muito satisfatório.
Marcello Estrella: Você já é reconhecido nas ruas de Los Angeles?
Marco Ruas: Muito! Muito! Isso me deixa super feliz. Sempre que saio com minha esposa, que fala bem o inglês, o pessoal me reconhece, me cumprimenta. Outro dia, um cara parou diante de mim, na rua, e disse que quase teve um ataque cardíaco: não aceditava que era eu à sua frente! Mais um autógrafo… Aqui as pessoas dão muito valor ao lutador, é impressionante. No Brasil, o lutador é marginalizado, é visto como um cara “burrão”… Aqui é visto como um artista!
Marcelo Estrella: Então sua vida vai bem nos Estados Unidos?
Marco Ruas: Melhor não poderia estar! Estragaria. Tenho uma vida maravilhosa.
Marcelo Estrella: Como era no Brasil seu ritmo de treino e como vem sendo agora, nos Estados Unidos?
Marco Ruas: No Brasil eu tinha uma academia, aliás tenho uma academia lá no Leme, para onde me mudei quando casei. Essa academia está agora sob os cuidados de Pedro Rizzo. Eu sempre variei meu sistema de treino. Se eu tiver uma competição para daqui a dois meses, por exemplo, divido de tudo um pouco. A um mês da luta, procuro fazer um treino específico, que é o treino “vale tudo” ou sparring mesmo. Treino solto e agarrado, tem dias que só faço boxe, outros que só faço Muay Thai e outros ainda que deixo para treino de chão. Numa luta Vale Tudo eu procuro me moldar ao adversário: não adianta só treinar chão, se o cara der soco e chute eu agarro, se o cara agarra eu dou soco e chute.
Marcelo Estrella: Mas e se o lutador se moldar a você?
Marco Ruas: Eu acho a luta em pé mais bonita, sou apaixonado pela luta em pé! Quero provar também que no Vale Tudo não existe mais essa de o cara só poder ganhar no chão. É o que estou provando, já lutei meia hora em pé, já lutei assim no Ultimate. O lutador em pé estava muito desacreditado. Antes, diante do Royce, lutador de Taekwondo, de Kick Boxing ou o que fosse, sem técnicas de chão, não conseguia fazer nada. Eu vim provar que um cara tem condições de lutar em pé. É lógico que precisa ter conhecimento de chão, de como se defender numa queda, mas continua com total condições de lutar em pé.
Marcelo Estrella: Como é o seu relacionamento com o pessoal do Jiu-Jitsu?
Marco Ruas: Eu não tenho nada contra o Jiu-Jitsu; talvez eles tenham contra mim! Eu acho o Jiu-Jitsu um esporte maravilhoso, como o Taekwondo, o Karatê, o Kick Boxing… Eu acho errado a mentalidade de alguns lutadores de Jiu-Jitsu que se julgam os melhores, que dizem que botam todo mundo pra dormir, que isso, que aquilo! É uma mentalidade caída, por fora, mostrar para a garotada que o bom é brigar na rua… Contra lutador de Jiu-Jitsu em geral não tenho nada, talvez eles tenham contra mim. Eu estive presente naquele torneio de Jiu-Jitsu de Mark Coleman e dei muito autógrafo pra lutador de Jiu-Jitsu. Antes de tudo sou Brasileiro, lutador de Vale Tudo. Patenteei o “Ruas Vale Tudo” pra nenhum picareta usar meu nome, só isso.
Marcelo Estrella: Hoje você está lutando Vale Tudo, mas pretende voltar a lutar Muay Thai, Kick Boxing ou Boxe, especificamente um dia?
Marco Ruas: Luto. Já tive propostas para lutar no K-1 do Japão, feitas pelo promotor do evento, Ishi. Pretendo, pretendo… Mas primeiro preciso me firmar num treinamento específico e aí eu teria de deixar de treinar chão, o Vale Tudo, senão, chegada a hora eu dou uma queda no cara e sou desclassificado, né? O K-1 é um evento lindíssimo… vamos ver!
Marcelo Estrella: Quais são seus próximos adversários?
Marco Ruas: Isso eu deixo para meu empresário, Frederico LaPenda. Mas estou treinando e pronto para lutar com qualquer um, desde que sejam campeões, os primeiros do ranking.
Marcelo Estrella: Se depender de você, está disposto a lutar com Royce ou Rickson Gracie?
Marco Ruas: Sim! Estou treinando sempre, me dedicando a isso. Não pretendo parar de lutar tão cedo. É só procurarem o LaPenda e fecharem o acordo. Comigo não tem esse negócio de “bolsa milionária”. Eu adoro lutar!
Marcelo Estrella: Agora permita que eu devolva uma pergunta a você… Eu perguntei ao Rickson Gracie o que ele achava de você… Qual a sua opinião sobre Rickson Gracie?
Marco Ruas: É só assistir as lutas, botar o pú blico pra ver. Acho que não tem o que se falar. Ele se diz completo. O que ele fez? Como ele é chutando, socando? Chão? Pô, eu nem posso avaliar a luta dele no chão porque o lutador que fez chão com ele não era qualificado! Ele lutou no Japão, contra um lutador japonês, durante 3 rounds. Depois o Ricardão, faixa azul, pegou aquele mesmo lutador e o venceu em 45 segundos! Os adversários do Rickson não são qualificados, entende? Então nem posso comentar a luta dele no chão… Ele não sobe num ringue há 2 anos! E ainda vem falar que eu sou “fraco”, pô! Eu acho até feio essa atitude da parte dele. Vamos acertar! Tem um monte de gente querendo ver esta luta entre nós.
Marcelo Estrella: Como está sua situação financeira hoje?
Marco Ruas: Melhorou muito, é claro. Digo isso com um largo sorriso! Mas foi fruto de um grande e cansativo trabalho, de muitos anos. Eu não era reconhecido no Brasil: treinava, mantinha uma forma física excelente e não tinha oportunidade de lutar! O próprio pessoal do Jiu-Jitsu me “congelava”, não tinha luta pra mim! Esse pessoal se escondia atrás de uma mentira. Queriam lutar com desconhecidos, com faixas-pretas, mas faixas-pretas sem méritos. Aí levavam pro chão e ganhavam. Quando eles sentiam que um cara era durão e sabia chão, evitavam. Que é isso? O negócio não pode ser assim! O Jiu-Jitsu não é imbatível como eles dizem. Eu sabia disso, tinha visão disso! Eles pegavam uns caras lá dos “cafundós”, faziam um tumulto no ringue, todo mundo contra o cara desconhecido, uma confusão toda pra dizer que eram imbatíveis! Quando eu lutei com o Pinduka, o juiz estava contra mim, a Família Gracie toda ali torcendo contra mim, o Rickson em volta do ringue, uma pressão psicológica contra mim, mas eu consegui, com aquilo tudo não me venceram porque eu tenho uma cabeça forte, um espírito forte! Aí me “congelaram”: esse não! Se eu não tivesse conhecido o LaPenda e se não tivesse tido a oportunidade de lutar no Ultimate hoje estaria esquecido no Brasil.
Marcelo Estrella: Você deu recentes seminários em Miami e Tóquio. Pretende fazer seminários pro pessoal no Brasil, sobretudo Rio e São Paulo?
Marco Ruas: Pretendo, claro. Tenho vontade de voltar ao Brasil mais vezes, fazer mais lutas lá, não ficar nessa que fiz com o Taktarov em novembro de 96 no Maksoud de São Paulo. O Brasil é minha terra, minha gente.
Marcelo Estrella: Então você não esqueceu o “feijão com arroz”, mesmo desfrutando de todo esse sucesso em Los Angeles?
Marco Ruas: De jeito nenhum! Sem “feijão e arroz” não dá! Falando sério, quando estou pra lutar, acrescento vitaminas, corto o açucar… mas o feijão com arroz não!!!

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